terça-feira, 24 de maio de 2011

Flores para Bette


































Eu compro as flores!
Foi a única coisa que eu disse ao sair de casa antes de bater a porta. Na noite passada tinha falado com Bette rapidamente ao telefone e marcamos de almoçarmos e passarmos a tarde juntos falando de vários assuntos, muito mais relacionados a mim do que a ela. Estar com Bette é sempre muito agradável; ela é uma pessoa de personalidade forte, porém uma criatura encantadora quando está de bom humor. E mesmo de mau humor ela é maravilhosa, não é a toa que é uma atriz fantástica.
Estava excitado pelo encontro, pois tinha vários planos em mente.
Ao sair do prédio me deparei com uma manhã cinza e um tanto quanto fria. Perfeita para o aconchego de um longo papo junto a lareira, quem sabe?
Caminhei uns tres blocos e entrei na floricultura. O sininho da porta tocou e os olhos da atendente se levantaram, eu dei bom dia, mas imediatamente avistei Clare numa das galerias da loja. Demos um grande sorriso de surpresa e quase gritamos de felicidade. Com certeza aquele dia seria um dia bastante prazeroso. Clare é uma grande amiga que também quase não vejo por falta de tempo; mais dela do que meu. Nos abraçamos e nos beijamos. Ela estava elegane como sempre. Perguntei o que fazia ali, ela então me respondeu que estava comprando flores para a festa que iria dar naquela noite. Era uma festa para a comemoração de um prêmio que X havia ganhado pelo seu último lançamento. X é um excelente escritor, amigo de Clare que infelizmente tem uma doença crônica e anda deprimido devido as complicações da doença. Clare cuida de X rigorosamente com todo seu amor e admiração, pois ele não tem ninguém que o faça. São amigos de adolescência. Ela me disse que a festa seria naquela noite e me chamou para ir também. Eu agradeci, mas disse que talvez meu dia com Bette fosse longo e eu talvez não tivesse tempo de comparcer a sua festa. Ela me convidou muito mais por educação, já que há muito tempo não sou mais íntimo de X.
Clare é uma amiga daquelas com quem se pode contar sempre. Desde que conheci Clare percebi que tinhamos muito em comum. Clare uma vez me disse que se sente muito mediocre, pois seu cotidiano parece sempre o de resolver pequenos problemas aqui e ali, ajudando um e a outro para não pensar em sua própria vida que anda meio insípida e sem grandes prazeres. Aliás, X sempre diz que Clare está sempre dando festas para encobrir o silêncio. Ela me fez a mesma pergunta que havia feito a ela. Respondi que as flores eram para Bette e então ela disse que gostava muito de Bette também, e que fazia tempo que não a via. Mandou um grande beijo para ela e me prometeu que iriamos marcar de tomar um vinho num dos restaurantes da vizinhança e pôr os assuntos em dia. Ela já havia escolhido suas flores e me disse para levar rosas vermelhas para Bette. Agradeci a sugestão e nos despedimos. Ela estava com pressa pois tinha que ir a casa de X para arrumar tudo para aquela noite e dar uma força para ele. Mandei meu abraço e meus parabéns para X. Clare sai da loja. Permaneci ainda um tempo na loja sem saber ao certo o que escolher. A balconista me deu algumas sugestões, mas ainda não sabia exatamente o que levar... fiquei parado por um
tempo, pensando nos tempos em que eu e Claire, ainda bem jovens, passamos na casa da familia de um amigo dela. Era uma linda casa, mas num lugar tão distante... Eram os tempos de faculdade e nossos comportamentos e sentimentos eram muito exacerbados, tudo era dramático e radical, mas cheio de paixão e fidelidade... Tempos felizes...
(Tempo)
Toquei a campainha da casa de Bette e logo quem me atendeu foi uma jovem que não conhecia. Eu perguntei sobre Bette e ela me disse, enquanto cuidava de guardar minha capa, chapéu e cuidava das flores, que ela estava se aprontando e que desceria em breve. Eu agradeci e por curiosidade perguntei o nome da moça. Ela me respondeu: Eve! Eu me apresentei também. Achei algo de estranho em Eve, mas não sabia descrever naquele momento. Ela parecia educada e solícita demais. Sempre desconfio de pessoas assim... algumas vezes durante a agradável tarde com Bette, tive a impressão de ver Eve nos espiando, tentando ouvir o que diziamos. Comentei com Bette que não deu muita importância ao que eu dissera. Bette me disse que Eve era uma fã que se tornara sua criada.
(Uns dez minutos)
Esperei. E então surge Bette descendo a escada com um belíssimo vestido preto, sóbrio como aquela tarde.
Darling! How are you?
(Durante o chá, na varanda depois do magnífico almoço)
Sabe Bette, tenho pensado muito sobre vários assuntos... coisas minhas e de alguns amigos...
Tenho me questionado como as pessoas hoje se sentem solitárias, mas precisam parecer auto suficientes, poderosas e bem sucedidas. Confesso que essa falta de perspectivsa profissional tem me abalado muito e que não consigo ainda enxergar uma solução imediata. A angústia de não saber o que acontecerá no futuro me deixa ansioso e acabo não conseguindo organizar meus pensamentos, sem saber para que lado irei... que caminho tomar... o que estou deixando de fazer para que as pessoas me enxerguem como alguém capaz de muitas coisas, que tem alguns talentos e vocações, mas que ainda não se deslancharam por completo. O que as pessoas ao redor me dizem é que é uma fase, mas que fase! Confesso que comecei a escrever para pelo menos depositar energia e tempo em algo útil. Me lembrei de Clare, encontrei com ela hoje na floricultura e lhe mandou lembranças.
Ainda quero falar muitas coisas, mas não posso esquecer de lhe contar a idéia que tive. Que tal se marcassemos um pic nic na casa de Virginia? Eu, você, Gaga, Madonna e Virginia. Seria uma ótima oportunidade de nós estarmos juntos pelo menos uma vez esse ano. Eu sei Bette, que Leonard pode se meter mas sei convencê-lo, pode deixar. Acho que Virginia resume muito daquilo que todos sentimos, cada um da sua forma e intensidade. Ela está precisando de visitas... Vive muito isolada!
Bem, eu... queria lhe perguntar uma coisa... Não me olhe com esses olhos enormes, pensando que é algo invasivo demais! Queria saber o telefone do seu analista. Bette dá uma sonora gargalhada que me deixa sem graça. Depois disso chama Eve que vem rapidamente, o que me faz desconfiar ainda mais, porque ninguém chega tão rápido assim se não está tão próximo, ou escondido, ouvindo os assuntos. Bette não esboça nenhum espanto com a estranha e rápida aparição de Eve sempre tão solícita. Bette, pede a Eve que traga o cartãozinho do seu analista que está no criado mudo. Depois de um certo tempo Eve me entrega um cartão de visitas simples, porém bastante distinto com o nome: Dr Sigmund Freud. Neurologista e Psicanalista. Imediatamente pus no bolso e agradeci.
A tarde tinha sido bastante agradável e já era noite quando deixei a casa de Bette. No caminho, olhei novamnte o cartãozinho de visitas do médico e li seu nome, agora bem baixinho, para mim mesmo.
Dormi muito rápido aquela noite. Estava cansado de tanto pensar em possibilidades profissionais, dilemas existenciais e etc... Na manhã seguinte, tomando meu café e lendo o jornal, me surpreendo com a notícia: “ O famoso escritor X faleceu ontem a tarde vitima de suicidio” O escritor, premiado recentemente se jogou da janela de seu apartamento.
Pensei imediatamente em Clare. Tenho que ligar para ela...

sábado, 21 de maio de 2011

Mensagem encaminhada
















---------- Mensagem encaminhada ----------

De: mim : 21 de maio de 2011 23:51

Assunto: Re: What’s up?

Para: Lady Gaga ladygaga@hotmail.com




Oi Gaga!
Desculpe-me pela demora em responder, mas estive meio ocupado aqui com vários assuntos desagradáveis ....
Depois te conto com calma pessoalmente.
Você tá bem?
Desde aquele dia na boite, eu queria falar com você sobre esse seu “ bad romance” com o Alejandro. Como vocês estão? Eu achei o clima meio pesado entre vocês dois naquele dia. Só deu tempo de fumarmos um cigarro tão rapidamente na porta da boite! Cheguei até a comentar com a Bette sobre você. Aliás, nós temos que nos encontrar para sair, ir para uma balada. A Bette e a Madonna vão querer um lugar bem chic, como você sabe. Elas não são como nós, que encaramos um boteco de esquina, né? Rs... Por falar nela, você tem visto a Madonna? Eu tô morrendo de saudades dela. Desde a última vez que ela esteve aqui a gente não se vê.
Eu estou com saudades de vocês... dos meus amigos... Enfim... Essa correria do dia a dia não deixa ninguém mais ter tempo de viver bons momentos sem nos preocuparmos com horário e compromissos! Isso tudo me deixa estressado. Estava comentando com a Bette sobre análise e ela ficou de me passar o telefone do analista dela. Você tá fazendo? Outro dia, a Virginia, aquela minha amiga escritora, sabe? Ela me falou que os remédios não estão dando conta, que ela precisava voltar para Londres e ter uma vida mais agitada, porque aquela vidinha de interior não é pra ela. Ela anda tão deprê... Preciso visitá-la mais vezes...Mas o Leonard, o marido, insiste em mantê-la afastada de todos... Eles parecem se amar muito, mas a Virginia é uma mulher de cabeça aberta... com ela rola outros lances também... Entende? Acho que ela acaba se reprimindo muito. Confesso que preciso escrever para ela uma longa e séria carta, dizendo o quanto ela é importante e quanto é admirada. Ela tá escrevendo um romance novo. Vai ser um sucesso, como sempre. Eu fico até sem graça de mostrar pra ela o que venho escrevendo. Mas de alguma forma eu me identifico com ela na maneira de escrever, nas subjetividades entende?
Mudando de assunto, há tempos que eu estava querendo te perguntar quem é o seu coreógrafo porque acho as suas coreografias ótimas! Queria saber também o nome daquele seu bailarino que tem uma carinha de japonês... Ele é um dos melhores, além de ser uma graça! Cheguei até a pensar que ele fosse o coreógrafo.
Bem, amore, falei, falei, falei... e acho que não disse muita coisa. Acho mesmo que preciso estar com vocês para matar as saudades.
Quem sabe a gente não marca com o pessoal e vai fazer um pic nic no jardim da casa da Virginia? Acho que ela vai adorar a idéia.
Eu ligo pra ela e depois falo com vocês.
Beijos
Saudades

domingo, 15 de maio de 2011

Camuflados na noite de Copa












Alô, Bette? Tudo bem?
Comigo, tudo bem.
O que fiz no fim de semana? Bem, várias coisas...
Fui numa festa numa boite... Uma festa de uma Rádio, onde trabalha um amigo de uma amiga minha. Atriz também.. Tava legal. Chegamos em casa já era de manhã!
Quem tava lá era a Gaga... Perguntou sobre você e mandou beijo. Disse que vai te ligar, mas anda
sem tempo... fumamos um cigarro rapidamente na porta da boite e contei pra ela que estivemos juntos essa semana, tomando chá em Ipanema e que tivemos altos papos!
Ela disse que a gente é muito “papo cabeça”. Adoro a Gaga! Tava com um vestido lindo!!!


Quem tava com ela era o Alejandro, um gato sempre.
Mas acho que ela não tava muito na dele não... Não sei...
Por que?
Sei lá! Sabe como ela é...
Mas deixa eu te contar...
A boite era legal, o pessoal também. Mas teve uma hora que saímos da boite e fomos beber no bar em frente.
Encontrei a Dora, lá! Lembra dela? Pois é... Tava meio alta como sempre. Sabe que ela vai fazer 70?! Ninguém diz né? Ficou me contando sobre os Cassinos de Las Vegas e tal... Disse que a cidade a noite parece dia de tanta luz! Exagerada... Você bem sabe como é Las Vegas, né?
Mas deixa eu te contar ... Porque ainda não te contei o principal. Lá pelas tantas surge um cara bem apessoado e se apresenta. Pede pra sentar na nossa mesa. Deixamos... Meio doido, o cara!
Falava de várias coisas, mas nada concreto, não dizia o que pretendia. Bebeu da nossa cerveja e tudo. Em certo momento, me chamou num canto e fez xixi comigo, deu uma sacada geral, entende, né? Depois me perguntou: Qual é? E eu disse: O que você quer realmente? Daí ele deu as costas e foi embora.
Muito louco!
E você? O que fez no fim de semana?
Não acredito! Filmando?
Bette, você precisa tirar uns dias pra você! Relaxar um pouco!
Ah! E por falar nisso, não tem um personagem pra mim não, no filme? Tô sem trabalho.
Quem tá dirigindo?
Ah! O Joseph? Que ótimo! Ele é muito competente. Dá um toque nele e me liga.
Beijos!

sábado, 14 de maio de 2011

Chá com Bette
















Sabe Bette,
Outro dia estive pensando como nós artistas que trabalhamos com a arte de interpretar, muitas vezes temos sérias dificuldades de nos comunicar.
Certo dia li, em algum lugar, que ”A comunicação não existe.” Acho que foi Nietzsche quem disse. Você já leu Nietzsche?
Quando li pela primeira vez fiquei chocado e inconformado já que em nossa profissão, um dos maiores veículos, além do corpo, é a palavra, que manifesta a solução para as grandes questões existenciais da humanidade. Num outro momento li que o que há de mais importante no discurso que se diz não está nas palavras escritas e nos pensamentos expressados, mas nas entrelinhas daquilo que está escrito ou dito, isto é, nas entrelinhas do discurso. Segundo Lacan é aí que se apresenta o sintoma. Mas por favor, não me julgue aqui com nenhuma intenção além de ilustrativa. Por falar nisso, você está fazendo análise com quem? Depois me passa o telefone dele, tá?
Hoje, depois de algumas susceptibilidades, começo infelizmente, a crer que todos esses autores que li, têm sua dose de razão. Às vezes, por mais que tentemos, não nos fazemos entender. Não acha? Isso tudo me faz lembrar de muitos ensinamentos de Buddha que jamais negava a verdade de ninguém. Não discordava, mas apenas pregava e agia da forma que pensava e sentia ser a "correta". Não era apenas sua palavra que valia, mas seus atos e princípios.
Certas vezes, você não se sente num claustro quase autista de onde não consegue encontrar a saída? Heim...? Palavras, gestos, posições, pensamentos, afetos expressados tem sido, por nós, de alguma forma não compreendidos. Hoje vejo que apenas uma palavra pode ter tantos significados quanto o número de pessoas que a ouvem ou o número de pessoas que a dizem... Sem falar na entonação e na emoção com que essa palavra é dita.
Mais uma vez me vem a cabeça, Buddha, que afirma de certa forma que a verdade e o conhecimento estão no silencio.
Vejo que poderíamos escrever um tratado , uma bíblia ou mais, até muito mais, de significados de apenas uma palavra. Outro autor de importância, diz que a palavra ou o pensamento, que aqui podem valer quase a mesma coisa, é o castigo da humanidade. O pensamento seria ao invés de uma dádiva, uma sentença. A palavra que nos edifica e redime pode ser aquela que nos julga, castiça e culpa.
Mas por favor querida, não quero com esse assunto tornar nosso chá desagradável, desesperançoso... Longe de mim! Mas apenas dividir pensamentos que infelizmente ou felizmente só podem ser expressos ironicamente através da PALAVRA.
Mas me diz... O que você acha?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Amor Branco
















Não era totalmente branco, era de um champagne muito claro, quase branco. A cor não era homogênea; algumas partes eram mais brancas outras mais champagne.Ouvidos atentos e olhos penetrantes. Sua voz, alta, de longe se ouvia. Euforia era sua marca. E como demonstrava amor em sua forma de ser!Agressões e mau humor, uma outra marca quase que incorrigível. Sua forma de protestar. Um minuto parado, não ficava. Somente quando o cansaço e o sono lhe batiam. Sua fama de mal era conhecida, mas de alguma forma todos o respeitavam e muitos o amavam...



Sofreu.



E fez sofrer, porque quando nos deixou, foi de maneira dolorosa e triste. Por que desse jeito? Ele não merecia. Doou amor, amizade, carinho e dedicação por toda a sua vida. Amizade mais pura e desinteressada, mas se foi. E deixou a dor mais profunda. Breve vida vivida e tão amada. Por que deixaste tanta dor? Logo nesse momento. Nós que nos escolhemos, mesmo quando tu ainda eras um bebê de olhinhos fechados de dois meses de idade. Nas mãos eu te acariciei e te acalentei. Seu cheiro de tenra idade era perfume de vida, doce e suave. Acabavas de nascer. Outros irmãos teus, eu amei, mas também se foram. Obrigados a partir assim como tu. Existem amores que não se repetem, ou será que voltam? Haaa! Se você voltasse! Menos dor sentiria eu, no mais sincero do meu ser. Nunca me conformei com a partida da vida. Nunca é justa. A sua não deixaria de ser. Um ser que vem ao mundo nos presentear com a pureza e amor em sua forma mais singela e aparentemente indefesa, como a natureza diante do homem. Esse que ama destrói a si mesmo no outro. Ele não! Ele como tantos outros infinitos que perambulam pelas ruas com fome, sede e frio, só vem para nos mostrar que de alguma forma Deus deve existir. Mas mesmo assim os homens não se sensibilizam; inclusive até sacrificam suas vidas... Tão insensato! Tão primitivamente estúpido esse homem, que não enxerga a dor, o amor, a tristeza, a felicidade, o carinho n'outro ser. Eu te entreguei aos braços da morte debaixo daquela árvore frutífera que abrigou suas últimas horas agonizantes, porém cobertas de doce carinho e amor,depois que aquelas pessoas de branco nos disseram aquilo que já sabíamos mas não queríamos nos convencer. Eu quis tanto ir com você! Eu quero estar com você. Será que essa sua viagem leva muito tempo? Em que porto ou estação poderemos nos encontrar? Me manda uma mensagem, num sonho que seja, me avisa, porque pra lá eu vou correndo te esperar a hora que for e com você quero partir e ficar onde for, sem temer o tempo. Porque tua ausência é dor que não passa, é ferida que não fecha. Eu te amo e sempre te amarei. Diz para os teus irmãos que eu os amo e que estou chegando em algum momento. E assim poderei cuidar de vocês se for preciso, por mais que ache que eu é que serei cuidado por vocês.



Te amo
PS: Existem algumas pessoas selecionadas que procuram de alguma forma atenuar a dor daqueles que ainda vivem por aqui:http://www.institutoninarosa.org.br/





Você também sentiu isso Bette? Me conta! Por favor...

domingo, 8 de maio de 2011

Começando por Bette





















Eu deveria começar de algum lugar... Começo aqui. Eu não sou Bette Davis, eu não sou a Madonna, eu não sou a Lady Gaga... Eu sou quem posso ser, quando me permito ser, quando me deixam ser... Mas se eu pudesse eu seria como uma delas. Por que? Não sei... Bette Davis foi e é um ícone do cinema hollywoodiano e segundo sua biografia, comia cachorro quente com sua mãe perversa porém incentivadora na porta dos stúdios onde ia fazer testes porque não tinha dinheiro para grandes restaurantes. Eu não comeria um cachorro quente hoje porque sou vegetariano, mas quem sabe um pão na chapa com um café, sei lá!

Bette amou intensamente e sofreu. Cada dólar que ganhou foi por seu esforço e superação.

Bette sofria de faringite, eu também sofro.

Bette amava seu cão, eu também.

Bette por que você não vem me salvar?

Vou falar muito mais de Bette aqui. Vou falar sempre, como vou falar de muitos outros "Eus"

Eu Madonna, Eu Lady Gaga, Eu Freud, Eu Baby Jane, Eu Dina Moscovici, Eu Virginia Wolff, Eu Mrs Dalloway, Eu puta da Lapa, Eu Nélson Rodrigues, eu" santo", Eu Shakespeare... até que me encontre novamente.

Até que possa me apresentar a mim mesmo.

Por enquanto, sou um fragmento de cada ícone de meu universo de desejos, fantasias e realidade.

Muito prazer! Eu sou...

Ah sim! E você, quem é mesmo?