terça-feira, 20 de dezembro de 2011

“Universos paralelos”


Num mundo “moderno”, cada ser que circula pelas ruas ou dentro de seus minúsculos apartamentos, em cômodos de suas enormes mansões, debaixo de marquises, em leitos de hospitais, em salas de espera, em suas conduções de volta a casa depois do trabalho, vive uma realidade única e solitária. Comunica por máquinas, suas pequenas ou grandes necessidades e anseios. Nos comunicamos? Ou falamos para nós mesmos no discurso direcionado ao outro? Dizemos verdades e mentiras a nosso respeito e acreditamos nelas para nos confortar. Será que seu interlocutor pode te salvar? Será que não olhamos eternamente para o espelho e fazemos perguntas e damos respostas para nós mesmos?

O que se passa na cabeça daquele que está sentado ao seu lado na condução coletiva ou em pé no elevador? O verdadeiro encontro de seres, cada vez mais, parece ser um momento único e raro. O que sabemos do outro, a não ser, sobre nossas próprias verdades condicionadas e repetidas até a exaustão?

O viver se torna a cada dia mais próprio e único no percurso das horas no relógio. A troca verbal de informações só se faz quando não se tem a possibilidade de que as máquinas lhe digam o que fazer: Digite sua senha novamente, a palavra não foi encontrada em nossos arquivos, sua caixa de e-mails está cheia, seu pagamento foi realizado com sucesso, deixe seu recado na caixa postal, saldo parcial, saldo total, sua conta será debitada automaticamente no dia do vencimento, aperte o andar desejado, pagamento com código de barras ou digite os números encontrados na sua fatura, você poderá adquirir os resultados dos seus exames através do nosso site, aguarde sua vez na fila, por favor, vire a direita, toque a campainha e aguarde, não ultrapasse...

Serviços de aconselhamento on line surgem a cada dia.

Estamos todos conectados durante vinte e quatro horas por dia; tarefas infindáveis para cumprir, às vezes inventadas para arrolhar os vazios da existência. Compromissos marcados e confirmados com dias de antecedência para que possam caber em nossos agendas.

As brincadeiras na beira da praia da infância ficaram em algum local perdido no tempo e espaço da memória, quando o relógio não tinha a menor importância e o viver era fluxo e não compromisso. As árvores enormes de flores amarelas permanecem apenas na memória; na minha memória. Será que ficou na sua?

As águas escuras e salgadas da praia da infância banham apenas nossos sonhos nas noites em que dormimos.

O doce de leite da avó, feito no grande caldeirão para os netos no domingo, hoje é comprado a quilo nas prateleiras dos hipermercados. Cada um escolhe a marca de sua preferência, e a doce, quente e afetiva mão da avó já não existe mais para nos servir e acariciar nossos cabelos... A família está presente no álbum virtual de fotos no seu perfil do site de relacionamentos.

Vejo nos olhos de cada um a necessidade de um encontro real onde se possa “trocar” conteúdos e sentimentos. A cada encontro agendado, um desejo, uma expectativa de completude.

Depois desses anos, longos anos, a vida me parece um primeiro ensaio de um espetáculo que ainda não sabemos o fim. A vida me parece ser obra aberta.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Medidas profiláticas


Cara Virginia,

Não tente acreditar nas escrituras que regem os seus pensamentos e sentimentos, pois fazem parte de um universo paralelo da literatura íntima e fantasiosa de nossos “fantasmas – personagens” que nos assombram os sonhos e pesadelos diários.

O discurso, uma vez estabelecido e rotulado como loucura permanece na superfície da alma como sarna na pele do corpo físico. O que se passa em cada universo imenso e particular compete a cada um de nós carregar pelas ruelas tortuosas de nosso caminho.

Existe, no mundo que nos cerca, um completo e permanente estado de manutenção de aparências, necessário para a sobrevivência e conservação de uma realidade suportável.

Em algum momento, na difícil e dolorosa jornada de cada um de nós, nos encontrarmos não foi por acaso. Não acredite no que eles dizem; fique em estado de alerta e sanidade porque para pessoas sensíveis como nós, é necessário vigilância duplicada. Fardo da retificação de estados de sanidade, máscara da loucura; senhora anfitriã de nossos bailes.

O que nos importa se o poeta disse que festejamos com todo o nosso burburinho, apenas para encobrir o silêncio e disfarçar estados de desconforto?

Organize sua festa. Vista-se com o seu melhor vestido.

O baile vai começar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Estações anacrônicas


Cara Bette,

O verão se aproxima, e com ele aquela sensação fóbica e sufocante de sol baixo e suores desagradáveis.

Esta época já não me seduz tanto quanto nos tempos de infância; quando toda a família, primos, tios, pais e avós, partia para uma temporada de férias na praia de águas escuras e árvores grandes com flores amarelas. Entre bóias, sanduiches e areia, pulávamos e brincávamos. Crianças e adolescentes cheios de vida e promessas de um futuro ainda tão distante de realizações.

De alguma forma, nessa selva de edifícios cinzas e de gente correndo, falando em seus celulares, me recordo de um verão que ainda muito jovem vivi na companhia tão presente de Clare e X.

No início daquele verão, Clare e eu fomos convidados para passar uma temporada na casa de campo de X. Ele tinha assuntos importantes para nos contar e precisava de nossa companhia. Clare havia deixado a universidade por uns tempos depois da gravidez inesperada. X havia desistido da carreira que a família o impunha. O convite de X me chegou por carta e de alguma forma achei o conteúdo enigmático e denso. Clare e eu por telefone, alguns dias depois, marcamos de irmos juntos em seu carro.

Clare, eu e X vivíamos uma amizade bastante íntima e densa. Havíamos nos afastado depois de algumas revelações nada confortantes para os três, mas estávamos sempre em contato e quase que telepaticamente vivendo as experiências, pensamentos e emoções um do outro. A gravidez de Clare com alguém fora do nosso circulo nos abalara e fizera com que refletíssemos a respeito de nossas vidas.

Na manhã marcada, Clare estava britanicamente na portaria de meu edifício com suas malas. Deixara a filha com os avós. A viagem foi de alguma forma cheia de tensão, disfarçada de uma alegria construída. Ambos sabíamos que a convivência de nós três, por um certo período, poderia trazer lembranças e vivencias dolorosas para os três, mas o pedido de nosso amigo era quase que uma súplica.

A casa ficava no meio de um deserto, longe da praia, mas próxima a um lago. Propriedade da família de X

Na varanda, X nos recebeu com um ar tenso e um sorriso triste no rosto.

Naquela noite, o jantar foi especial, pois só tratamos de saber um do outro e de recordar os nossos bons tempos de Universidade. Mas como seria impossível, chegamos ao assunto que nos separara de alguma forma, a gravidez de Clare. Eu e X sentíamos como uma traição, mas jamais revelamos isso a ela que carregava culpa de nos ter traído, assim penso.

Os dias foram agradáveis, mas cheios de uma tensão que pairava no ar. Afinal, para que aquela viagem urgente, tão aparentemente sem motivo, a não ser para nos reencontrar?

Numa noite quente, quase sufocante, depois do jantar, Clare olhava a lua no céu brilhante, e devagar me aproximei. Ela me disse: O que estamos fazendo aqui? Será que o nosso tempo já não passou e estamos apenas tentando reviver sentimentos já tão esgotados de decepções e dores?

Eu não sabia o que dizer, mas sabíamos que algo estava para acontecer em breve. Naquele momento X na sala, jogado no sofá, um pouco alto de vinho, nos chamou. Entramos e ele então nos disse que acontecesse o que acontecesse, nós estaríamos sempre juntos, não é? Respondemos vacilantemente, eu e Clare, que sim, sem entender nada ou entendendo tudo, mas sem coragem de assumir.

Uma lágrima corria no rosto de X e por alguns momentos nos abraçamos os três e com quase total certeza, percebi que os dois também ofegavam com as lembranças que dividíamos.

X nos pediu para que o levássemos para seu quarto no andar de cima. Assim o fizemos. Deitado, ele nos pediu para que não o deixasse aquela noite. Os olhos de Clare buscaram os meus com cumplicidade e medo. X era uma pessoa que amávamos muito, cada um de sua forma, mas igualmente “perigosa”. Clare numa atitude quase que materna, acolheu X em seu colo acariciando seus cabelos enquanto ele se despia. Ao mesmo tempo, ele pede que me aproxime e que o ajude. Assim o fiz.

O calor era grande, muito mais pela situação que vivíamos do que pelo termômetro.

Sem muitas palavras, mas com atitudes quase condicionadas nos deitamos com X um de cada lado e com a permissão quase que deflagrada pelos nossos desejos, estávamos os três nus, e algum tempo depois, numa curta visita da razão, vi nossos corpos entrelaçados quase que como na fusão de um só.

Pela manhã, ao acordar, Clare já não estava na cama e X ainda dormia um sono profundo e pesado. Me vesti e desci. Clare tomava uma xícara de café na varanda e sem me olhar nos olhos disse: Fiz café. Sirva-se. Sem dizer uma palavra entrei na cozinha e me servi de uma enorme xícara de café quente.

Naquele momento Clare adentra a cozinha e me pergunta se tudo iria começar novamente. Se era isso que X propunha, ela iria embora naquele momento. Eu a detive e disse para que conversássemos com X e definitivamente resolvêssemos o que tanto nos pesava. Clare sai pela porta e diz que vai até o lago. Me sento. Durante o café acompanhado de um cigarro, ouço um gemido no andar de cima. Obviamente que era X. Subi e quando chego em seu quarto, ele nu de frente para o espelho chora e observa o seu corpo. Fráfil, me pede para dizer que o que via não era verdade. Que ele não iria morrer. Naquele momento perdi o controle e o abracei fortemente. Ele se jogou em meus braços pedindo para que eu dissesse que a marca óbvia no seu corpo não passava de ilusão. Não pude dizer nada, além de negar a mim mesmo e para ele que nada de mal o aconteceria. Não fazia idéia de como Clare poderia reagir aquela revelação. Clare era maternal com X e de mim exigia uma postura forte e decisiva com relação aos sentimentos que X nutria por mim e que eu não sabia administrar. Para mim, Clare sempre foi exemplo de razão, bondade, sensualidade... Não conseguíamos decifrar o que de fato significávamos um para o outro. Eu sentia uma espécie raiva quando Clare não esboçava nenhuma espécie de ciúme quando X, o mais emocional de nós três, me declarava o seu amor. Intimamente,eu deseja que Clare e ele disputassem o meu amor, talvez...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nota de falecimento


As quatro estações do ano já se cumpriram quase todas, e como num ciclo permanente, os pensamentos e questões, insistem em se revezar.

Quanto tempo ainda a esperar pelas respostas que me faço, e faço ao tempo; senhor soberano de todos nós? Na verdade, ele me responde de uma forma sutil, que as respostas estão escondidas em cada um de nós.

Mas que missão mais intrigante, essa de viver o quotidiano.

O que ele quer de nós, o Senhor do Tempo, que persiste em nos manter cada vez mais em dúvida sobre nossas possibilidades? Somos brinquedos em suas mãos que nos manipulam como meros bonecos no enredo que criou e batizou de destino.

Quando eles retornarão? Lucidez e harmonia. Quando O Senhor Tempo nos dará um trégua de sua feroz ditadura?

O espelho, seu amigo íntimo, nos presenteia diariamente com sua sórdida face, os efeitos do mestre.

Que se quebrem todos os espelhos e todos os relógios! Que o Senhor do Tempo pare, para que possamos nos enxergar e olhar nos olhos daqueles que elegemos. Que o Senhor Tempo seja destituído de seu poder para dar lugar ao seu opositor mais feroz, o Prazer. Senhor que rege todos os nossos desejos.

De que verdade nos falam essas vozes que ouvimos? Escravos do Tempo. De onde tiraram tanta certeza de seus próprios “eus” e de seus míseros destinos mal e precariamente ensaiados? Não sabem de nada! Apenas fingem uma segurança e um autodomínio, baseado em experiências empoeiradas de cinzas de sabedoria ultrapassada. Calem a boca! Assistam a seus patéticos destinos previamente elaborados. Acorde, trabalhe, coma, faça sexo, ria de si mesmo na desgraça alheia. Dite regras e regras para seus descendentes. Julgue, julgue, julgue afirmando assim seus princípios baseados em frágeis verdades. Compre, compre, compre e morra sem eleger o prazer como seu imperador mor. E em sua lápide escreva: Eu vivi sob todas as regras absorvidas, até mesmo as que me permitiam, algumas vezes, experimentar um prazer secundário cheio de culpa. Mas fui “bem sucedido”, sem conhecer a mim mesmo nem ao meu próprio prazer.

E com um chá quente, servido numa xícara de porcelana na varanda de meu amigo Wilde, ao cair da tarde, depois de seu funeral, brindarei sua vitória. Parcial, burguesa e burra.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Espaço entre os acontecimentos

Cara Virginia,
Há tempos venho pensando em lhe escrever. Tenho comentado com Bette, Clare e outras pessoas... Mas os assuntos seguem outros caminhos e a vida exige toda uma burocracia chata e corrida, sem nenhuma poesia, sem nenhuma paz...
Penso que você deve sentir tudo isso também. A necessidade de falar aquilo que a boca não consegue dizer... É tão difícil ...
Os olhos... Os olhos dos outros nos perseguem... e sem saber o que fazer, às vezes sorrimos, às vezes baixamos os olhos, às vezes encaramos...
Será que aqueles olhos podem nos compreender? Será que podemos nos comunicar? Será que é possível? Não sei, Virginia... Só sei que tenho tentado. E pelo que sei, você também.
Penso numa visita a sua casa, onde poderíamos trocar algumas experiências e idéias existenciais.
Penso que Bette e Clare podem ser boas companhias, são mulheres que de uma certa forma vivenciam a vida de uma forma bastante intensa e prática, a duras penas, eu sei, e que talvez possam nos elucidar algumas dúvidas; além de serem ótimas companhias.
Sei que você está no meio de um processo criativo, escrevendo um novo romance, mas quem sabe um encontro entre nós possa nos trazer alguns momentos de paz e prazer? Sei que a vida no campo tem lhe deixado ainda mais deprimida. Há muito tempo venho querendo lhe ver, saber de você como realmente está.
Bem, eu estou bem, com as mesmas questões, sentimentos e pensamentos, muitas vezes solitários e longos...
Às vezes penso no espaço entre os acontecimentos; o que fazer? O que dizer? Fumar um cigarro? Me tocar? Não sei... Tudo parece tão urgente e também tão ineficaz.
O que pensa sobre isso, Virginia? Como você vive isso? Como sente isso tudo?
Talvez nunca saibamos, mas só sei que sentimos...
Um beijo com carinho.
Espero sua resposta.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Black Out!






Foi com um sorriso enigmático que Clare se despediu de mim depois de uma tarde chuvosa no restaurante. Durante toda a nossa conversa senti que depois da morte de X, Clare parecia mais leve, menos tensa; com um semblante maduro, talvez triste, mas com um ar de tranqüilidade. Clare e eu sempre tivemos os mesmos conflitos e aflições humanas; a necessidade de se sentir útil, bem educado, bem sucedido, muito mais para agradar aos outros do que a nós mesmos...Daí uma enorme sensação de sufocamento e de vazio ao mesmo tempo... Uma ansiedade generalizada, confusa e difusa... Clare havia se libertado, talvez de um "papel"... de um estigma...

(O tempo passa e eu olho pelas janelas do edifício a copa das árvores e o trânsito lá em baixo.)




Uma certa angústia e sensação de solidão insiste no peito... Um black out de sentidos. A mão escorrega para dentro do paletó que ainda não retirei depois que cheguei porque ainda sentia frio. Lá estava o cartãozinho do Dr. Freud. Eu havia me esquecido totalmente de ligar. O inconsciente é imperioso e constante. Infelizmente em raros momentos é que temos esses insights.






... Tempo...




O telefone toca:
Bette! Que agradável surpresa!
Como estou? Bem, acabo de chegar de um almoço com Clare e conversamos muito a respeito das nossas vidas, do vazio existencial e etc... A primeira vez que nos vimos depois da trágica morte de X.
Mas você me soa muito bem ao telefone. O que aconteceu?
O que? Valentin está na cidade? Que ótimo! Esteve com ele? Marcou algo? Não? Mas por que? Ah sim, sua agenda de trabalho está lotada para variar...
Eu fui convidado para uma festa neste fim de semana; um jovem e promissor jornalista faz aniversário. Vou convidar Valentin! Você bem que poderia achar um espacinho na sua agenda para nós, hein?
Ok! Aguardo você me ligar, aliás eu preciso muito ter uma de nossas conversas...
Beijos...




(Algumas horas ou alguns dias depois, não sei... Um espaço de tempo interno que não
combina com o tempo real de maneira nenhuma... )




Alô, Valentim? Tudo bem?
Bette me disse que estava na cidade e eu queria muito te ver. Vamos a um aniversário hoje a noite? Não fique constrangido, você passa a conhecê-lo na festa.
Então estamos combinados, nos encontramos na saída do metrô.
Na hora marcada Valentim estava lá. O frio era intenso, andamos até o apartamento.
A festa parecia ótima. Alguns amigos íntimos e queridos, mas todo o edifício estava sem energia elétrica. A festa se passou a luz de velas, que no final das contas ficou até charmosa.
No fim da noite decidimos descer e terminar a festa num "pub" próximo ao edifício.
O frio parecia aumentar e começava a chover, mas o programa foi divertido... Certas horas pensava em Bette, como gostaria de falar com ela certas coisas que só nós dois entenderíamos... pensei também em Clare... Os amigos tão raramente encontrados... O pic nic que nunca agendamos com Virginia. Como estaria ela? Esse momento precisa acontecer... por nós todos. Esse encontro com nós mesmos...
Na mesa tanto o que dizer... Mas o momento era o de ouvir. O Black out das sensações era menor, mas insistia...
De repente um conversível vermelho passa com a sua capota branca armada e vejo Gaga acenando... Não tive tempo nem de chamá-la para que sentasse conosco.
A noite terminou e todos se foram... Nem cheguei a conhecer de verdade a maioria daquelas pessoas... e até que gostaria muito.
E assim foi...
Os compromissos semanais nos engolem e vamos adiante e adiando...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Flores para Bette


































Eu compro as flores!
Foi a única coisa que eu disse ao sair de casa antes de bater a porta. Na noite passada tinha falado com Bette rapidamente ao telefone e marcamos de almoçarmos e passarmos a tarde juntos falando de vários assuntos, muito mais relacionados a mim do que a ela. Estar com Bette é sempre muito agradável; ela é uma pessoa de personalidade forte, porém uma criatura encantadora quando está de bom humor. E mesmo de mau humor ela é maravilhosa, não é a toa que é uma atriz fantástica.
Estava excitado pelo encontro, pois tinha vários planos em mente.
Ao sair do prédio me deparei com uma manhã cinza e um tanto quanto fria. Perfeita para o aconchego de um longo papo junto a lareira, quem sabe?
Caminhei uns tres blocos e entrei na floricultura. O sininho da porta tocou e os olhos da atendente se levantaram, eu dei bom dia, mas imediatamente avistei Clare numa das galerias da loja. Demos um grande sorriso de surpresa e quase gritamos de felicidade. Com certeza aquele dia seria um dia bastante prazeroso. Clare é uma grande amiga que também quase não vejo por falta de tempo; mais dela do que meu. Nos abraçamos e nos beijamos. Ela estava elegane como sempre. Perguntei o que fazia ali, ela então me respondeu que estava comprando flores para a festa que iria dar naquela noite. Era uma festa para a comemoração de um prêmio que X havia ganhado pelo seu último lançamento. X é um excelente escritor, amigo de Clare que infelizmente tem uma doença crônica e anda deprimido devido as complicações da doença. Clare cuida de X rigorosamente com todo seu amor e admiração, pois ele não tem ninguém que o faça. São amigos de adolescência. Ela me disse que a festa seria naquela noite e me chamou para ir também. Eu agradeci, mas disse que talvez meu dia com Bette fosse longo e eu talvez não tivesse tempo de comparcer a sua festa. Ela me convidou muito mais por educação, já que há muito tempo não sou mais íntimo de X.
Clare é uma amiga daquelas com quem se pode contar sempre. Desde que conheci Clare percebi que tinhamos muito em comum. Clare uma vez me disse que se sente muito mediocre, pois seu cotidiano parece sempre o de resolver pequenos problemas aqui e ali, ajudando um e a outro para não pensar em sua própria vida que anda meio insípida e sem grandes prazeres. Aliás, X sempre diz que Clare está sempre dando festas para encobrir o silêncio. Ela me fez a mesma pergunta que havia feito a ela. Respondi que as flores eram para Bette e então ela disse que gostava muito de Bette também, e que fazia tempo que não a via. Mandou um grande beijo para ela e me prometeu que iriamos marcar de tomar um vinho num dos restaurantes da vizinhança e pôr os assuntos em dia. Ela já havia escolhido suas flores e me disse para levar rosas vermelhas para Bette. Agradeci a sugestão e nos despedimos. Ela estava com pressa pois tinha que ir a casa de X para arrumar tudo para aquela noite e dar uma força para ele. Mandei meu abraço e meus parabéns para X. Clare sai da loja. Permaneci ainda um tempo na loja sem saber ao certo o que escolher. A balconista me deu algumas sugestões, mas ainda não sabia exatamente o que levar... fiquei parado por um
tempo, pensando nos tempos em que eu e Claire, ainda bem jovens, passamos na casa da familia de um amigo dela. Era uma linda casa, mas num lugar tão distante... Eram os tempos de faculdade e nossos comportamentos e sentimentos eram muito exacerbados, tudo era dramático e radical, mas cheio de paixão e fidelidade... Tempos felizes...
(Tempo)
Toquei a campainha da casa de Bette e logo quem me atendeu foi uma jovem que não conhecia. Eu perguntei sobre Bette e ela me disse, enquanto cuidava de guardar minha capa, chapéu e cuidava das flores, que ela estava se aprontando e que desceria em breve. Eu agradeci e por curiosidade perguntei o nome da moça. Ela me respondeu: Eve! Eu me apresentei também. Achei algo de estranho em Eve, mas não sabia descrever naquele momento. Ela parecia educada e solícita demais. Sempre desconfio de pessoas assim... algumas vezes durante a agradável tarde com Bette, tive a impressão de ver Eve nos espiando, tentando ouvir o que diziamos. Comentei com Bette que não deu muita importância ao que eu dissera. Bette me disse que Eve era uma fã que se tornara sua criada.
(Uns dez minutos)
Esperei. E então surge Bette descendo a escada com um belíssimo vestido preto, sóbrio como aquela tarde.
Darling! How are you?
(Durante o chá, na varanda depois do magnífico almoço)
Sabe Bette, tenho pensado muito sobre vários assuntos... coisas minhas e de alguns amigos...
Tenho me questionado como as pessoas hoje se sentem solitárias, mas precisam parecer auto suficientes, poderosas e bem sucedidas. Confesso que essa falta de perspectivsa profissional tem me abalado muito e que não consigo ainda enxergar uma solução imediata. A angústia de não saber o que acontecerá no futuro me deixa ansioso e acabo não conseguindo organizar meus pensamentos, sem saber para que lado irei... que caminho tomar... o que estou deixando de fazer para que as pessoas me enxerguem como alguém capaz de muitas coisas, que tem alguns talentos e vocações, mas que ainda não se deslancharam por completo. O que as pessoas ao redor me dizem é que é uma fase, mas que fase! Confesso que comecei a escrever para pelo menos depositar energia e tempo em algo útil. Me lembrei de Clare, encontrei com ela hoje na floricultura e lhe mandou lembranças.
Ainda quero falar muitas coisas, mas não posso esquecer de lhe contar a idéia que tive. Que tal se marcassemos um pic nic na casa de Virginia? Eu, você, Gaga, Madonna e Virginia. Seria uma ótima oportunidade de nós estarmos juntos pelo menos uma vez esse ano. Eu sei Bette, que Leonard pode se meter mas sei convencê-lo, pode deixar. Acho que Virginia resume muito daquilo que todos sentimos, cada um da sua forma e intensidade. Ela está precisando de visitas... Vive muito isolada!
Bem, eu... queria lhe perguntar uma coisa... Não me olhe com esses olhos enormes, pensando que é algo invasivo demais! Queria saber o telefone do seu analista. Bette dá uma sonora gargalhada que me deixa sem graça. Depois disso chama Eve que vem rapidamente, o que me faz desconfiar ainda mais, porque ninguém chega tão rápido assim se não está tão próximo, ou escondido, ouvindo os assuntos. Bette não esboça nenhum espanto com a estranha e rápida aparição de Eve sempre tão solícita. Bette, pede a Eve que traga o cartãozinho do seu analista que está no criado mudo. Depois de um certo tempo Eve me entrega um cartão de visitas simples, porém bastante distinto com o nome: Dr Sigmund Freud. Neurologista e Psicanalista. Imediatamente pus no bolso e agradeci.
A tarde tinha sido bastante agradável e já era noite quando deixei a casa de Bette. No caminho, olhei novamnte o cartãozinho de visitas do médico e li seu nome, agora bem baixinho, para mim mesmo.
Dormi muito rápido aquela noite. Estava cansado de tanto pensar em possibilidades profissionais, dilemas existenciais e etc... Na manhã seguinte, tomando meu café e lendo o jornal, me surpreendo com a notícia: “ O famoso escritor X faleceu ontem a tarde vitima de suicidio” O escritor, premiado recentemente se jogou da janela de seu apartamento.
Pensei imediatamente em Clare. Tenho que ligar para ela...

sábado, 21 de maio de 2011

Mensagem encaminhada
















---------- Mensagem encaminhada ----------

De: mim : 21 de maio de 2011 23:51

Assunto: Re: What’s up?

Para: Lady Gaga ladygaga@hotmail.com




Oi Gaga!
Desculpe-me pela demora em responder, mas estive meio ocupado aqui com vários assuntos desagradáveis ....
Depois te conto com calma pessoalmente.
Você tá bem?
Desde aquele dia na boite, eu queria falar com você sobre esse seu “ bad romance” com o Alejandro. Como vocês estão? Eu achei o clima meio pesado entre vocês dois naquele dia. Só deu tempo de fumarmos um cigarro tão rapidamente na porta da boite! Cheguei até a comentar com a Bette sobre você. Aliás, nós temos que nos encontrar para sair, ir para uma balada. A Bette e a Madonna vão querer um lugar bem chic, como você sabe. Elas não são como nós, que encaramos um boteco de esquina, né? Rs... Por falar nela, você tem visto a Madonna? Eu tô morrendo de saudades dela. Desde a última vez que ela esteve aqui a gente não se vê.
Eu estou com saudades de vocês... dos meus amigos... Enfim... Essa correria do dia a dia não deixa ninguém mais ter tempo de viver bons momentos sem nos preocuparmos com horário e compromissos! Isso tudo me deixa estressado. Estava comentando com a Bette sobre análise e ela ficou de me passar o telefone do analista dela. Você tá fazendo? Outro dia, a Virginia, aquela minha amiga escritora, sabe? Ela me falou que os remédios não estão dando conta, que ela precisava voltar para Londres e ter uma vida mais agitada, porque aquela vidinha de interior não é pra ela. Ela anda tão deprê... Preciso visitá-la mais vezes...Mas o Leonard, o marido, insiste em mantê-la afastada de todos... Eles parecem se amar muito, mas a Virginia é uma mulher de cabeça aberta... com ela rola outros lances também... Entende? Acho que ela acaba se reprimindo muito. Confesso que preciso escrever para ela uma longa e séria carta, dizendo o quanto ela é importante e quanto é admirada. Ela tá escrevendo um romance novo. Vai ser um sucesso, como sempre. Eu fico até sem graça de mostrar pra ela o que venho escrevendo. Mas de alguma forma eu me identifico com ela na maneira de escrever, nas subjetividades entende?
Mudando de assunto, há tempos que eu estava querendo te perguntar quem é o seu coreógrafo porque acho as suas coreografias ótimas! Queria saber também o nome daquele seu bailarino que tem uma carinha de japonês... Ele é um dos melhores, além de ser uma graça! Cheguei até a pensar que ele fosse o coreógrafo.
Bem, amore, falei, falei, falei... e acho que não disse muita coisa. Acho mesmo que preciso estar com vocês para matar as saudades.
Quem sabe a gente não marca com o pessoal e vai fazer um pic nic no jardim da casa da Virginia? Acho que ela vai adorar a idéia.
Eu ligo pra ela e depois falo com vocês.
Beijos
Saudades

domingo, 15 de maio de 2011

Camuflados na noite de Copa












Alô, Bette? Tudo bem?
Comigo, tudo bem.
O que fiz no fim de semana? Bem, várias coisas...
Fui numa festa numa boite... Uma festa de uma Rádio, onde trabalha um amigo de uma amiga minha. Atriz também.. Tava legal. Chegamos em casa já era de manhã!
Quem tava lá era a Gaga... Perguntou sobre você e mandou beijo. Disse que vai te ligar, mas anda
sem tempo... fumamos um cigarro rapidamente na porta da boite e contei pra ela que estivemos juntos essa semana, tomando chá em Ipanema e que tivemos altos papos!
Ela disse que a gente é muito “papo cabeça”. Adoro a Gaga! Tava com um vestido lindo!!!


Quem tava com ela era o Alejandro, um gato sempre.
Mas acho que ela não tava muito na dele não... Não sei...
Por que?
Sei lá! Sabe como ela é...
Mas deixa eu te contar...
A boite era legal, o pessoal também. Mas teve uma hora que saímos da boite e fomos beber no bar em frente.
Encontrei a Dora, lá! Lembra dela? Pois é... Tava meio alta como sempre. Sabe que ela vai fazer 70?! Ninguém diz né? Ficou me contando sobre os Cassinos de Las Vegas e tal... Disse que a cidade a noite parece dia de tanta luz! Exagerada... Você bem sabe como é Las Vegas, né?
Mas deixa eu te contar ... Porque ainda não te contei o principal. Lá pelas tantas surge um cara bem apessoado e se apresenta. Pede pra sentar na nossa mesa. Deixamos... Meio doido, o cara!
Falava de várias coisas, mas nada concreto, não dizia o que pretendia. Bebeu da nossa cerveja e tudo. Em certo momento, me chamou num canto e fez xixi comigo, deu uma sacada geral, entende, né? Depois me perguntou: Qual é? E eu disse: O que você quer realmente? Daí ele deu as costas e foi embora.
Muito louco!
E você? O que fez no fim de semana?
Não acredito! Filmando?
Bette, você precisa tirar uns dias pra você! Relaxar um pouco!
Ah! E por falar nisso, não tem um personagem pra mim não, no filme? Tô sem trabalho.
Quem tá dirigindo?
Ah! O Joseph? Que ótimo! Ele é muito competente. Dá um toque nele e me liga.
Beijos!

sábado, 14 de maio de 2011

Chá com Bette
















Sabe Bette,
Outro dia estive pensando como nós artistas que trabalhamos com a arte de interpretar, muitas vezes temos sérias dificuldades de nos comunicar.
Certo dia li, em algum lugar, que ”A comunicação não existe.” Acho que foi Nietzsche quem disse. Você já leu Nietzsche?
Quando li pela primeira vez fiquei chocado e inconformado já que em nossa profissão, um dos maiores veículos, além do corpo, é a palavra, que manifesta a solução para as grandes questões existenciais da humanidade. Num outro momento li que o que há de mais importante no discurso que se diz não está nas palavras escritas e nos pensamentos expressados, mas nas entrelinhas daquilo que está escrito ou dito, isto é, nas entrelinhas do discurso. Segundo Lacan é aí que se apresenta o sintoma. Mas por favor, não me julgue aqui com nenhuma intenção além de ilustrativa. Por falar nisso, você está fazendo análise com quem? Depois me passa o telefone dele, tá?
Hoje, depois de algumas susceptibilidades, começo infelizmente, a crer que todos esses autores que li, têm sua dose de razão. Às vezes, por mais que tentemos, não nos fazemos entender. Não acha? Isso tudo me faz lembrar de muitos ensinamentos de Buddha que jamais negava a verdade de ninguém. Não discordava, mas apenas pregava e agia da forma que pensava e sentia ser a "correta". Não era apenas sua palavra que valia, mas seus atos e princípios.
Certas vezes, você não se sente num claustro quase autista de onde não consegue encontrar a saída? Heim...? Palavras, gestos, posições, pensamentos, afetos expressados tem sido, por nós, de alguma forma não compreendidos. Hoje vejo que apenas uma palavra pode ter tantos significados quanto o número de pessoas que a ouvem ou o número de pessoas que a dizem... Sem falar na entonação e na emoção com que essa palavra é dita.
Mais uma vez me vem a cabeça, Buddha, que afirma de certa forma que a verdade e o conhecimento estão no silencio.
Vejo que poderíamos escrever um tratado , uma bíblia ou mais, até muito mais, de significados de apenas uma palavra. Outro autor de importância, diz que a palavra ou o pensamento, que aqui podem valer quase a mesma coisa, é o castigo da humanidade. O pensamento seria ao invés de uma dádiva, uma sentença. A palavra que nos edifica e redime pode ser aquela que nos julga, castiça e culpa.
Mas por favor querida, não quero com esse assunto tornar nosso chá desagradável, desesperançoso... Longe de mim! Mas apenas dividir pensamentos que infelizmente ou felizmente só podem ser expressos ironicamente através da PALAVRA.
Mas me diz... O que você acha?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Amor Branco
















Não era totalmente branco, era de um champagne muito claro, quase branco. A cor não era homogênea; algumas partes eram mais brancas outras mais champagne.Ouvidos atentos e olhos penetrantes. Sua voz, alta, de longe se ouvia. Euforia era sua marca. E como demonstrava amor em sua forma de ser!Agressões e mau humor, uma outra marca quase que incorrigível. Sua forma de protestar. Um minuto parado, não ficava. Somente quando o cansaço e o sono lhe batiam. Sua fama de mal era conhecida, mas de alguma forma todos o respeitavam e muitos o amavam...



Sofreu.



E fez sofrer, porque quando nos deixou, foi de maneira dolorosa e triste. Por que desse jeito? Ele não merecia. Doou amor, amizade, carinho e dedicação por toda a sua vida. Amizade mais pura e desinteressada, mas se foi. E deixou a dor mais profunda. Breve vida vivida e tão amada. Por que deixaste tanta dor? Logo nesse momento. Nós que nos escolhemos, mesmo quando tu ainda eras um bebê de olhinhos fechados de dois meses de idade. Nas mãos eu te acariciei e te acalentei. Seu cheiro de tenra idade era perfume de vida, doce e suave. Acabavas de nascer. Outros irmãos teus, eu amei, mas também se foram. Obrigados a partir assim como tu. Existem amores que não se repetem, ou será que voltam? Haaa! Se você voltasse! Menos dor sentiria eu, no mais sincero do meu ser. Nunca me conformei com a partida da vida. Nunca é justa. A sua não deixaria de ser. Um ser que vem ao mundo nos presentear com a pureza e amor em sua forma mais singela e aparentemente indefesa, como a natureza diante do homem. Esse que ama destrói a si mesmo no outro. Ele não! Ele como tantos outros infinitos que perambulam pelas ruas com fome, sede e frio, só vem para nos mostrar que de alguma forma Deus deve existir. Mas mesmo assim os homens não se sensibilizam; inclusive até sacrificam suas vidas... Tão insensato! Tão primitivamente estúpido esse homem, que não enxerga a dor, o amor, a tristeza, a felicidade, o carinho n'outro ser. Eu te entreguei aos braços da morte debaixo daquela árvore frutífera que abrigou suas últimas horas agonizantes, porém cobertas de doce carinho e amor,depois que aquelas pessoas de branco nos disseram aquilo que já sabíamos mas não queríamos nos convencer. Eu quis tanto ir com você! Eu quero estar com você. Será que essa sua viagem leva muito tempo? Em que porto ou estação poderemos nos encontrar? Me manda uma mensagem, num sonho que seja, me avisa, porque pra lá eu vou correndo te esperar a hora que for e com você quero partir e ficar onde for, sem temer o tempo. Porque tua ausência é dor que não passa, é ferida que não fecha. Eu te amo e sempre te amarei. Diz para os teus irmãos que eu os amo e que estou chegando em algum momento. E assim poderei cuidar de vocês se for preciso, por mais que ache que eu é que serei cuidado por vocês.



Te amo
PS: Existem algumas pessoas selecionadas que procuram de alguma forma atenuar a dor daqueles que ainda vivem por aqui:http://www.institutoninarosa.org.br/





Você também sentiu isso Bette? Me conta! Por favor...

domingo, 8 de maio de 2011

Começando por Bette





















Eu deveria começar de algum lugar... Começo aqui. Eu não sou Bette Davis, eu não sou a Madonna, eu não sou a Lady Gaga... Eu sou quem posso ser, quando me permito ser, quando me deixam ser... Mas se eu pudesse eu seria como uma delas. Por que? Não sei... Bette Davis foi e é um ícone do cinema hollywoodiano e segundo sua biografia, comia cachorro quente com sua mãe perversa porém incentivadora na porta dos stúdios onde ia fazer testes porque não tinha dinheiro para grandes restaurantes. Eu não comeria um cachorro quente hoje porque sou vegetariano, mas quem sabe um pão na chapa com um café, sei lá!

Bette amou intensamente e sofreu. Cada dólar que ganhou foi por seu esforço e superação.

Bette sofria de faringite, eu também sofro.

Bette amava seu cão, eu também.

Bette por que você não vem me salvar?

Vou falar muito mais de Bette aqui. Vou falar sempre, como vou falar de muitos outros "Eus"

Eu Madonna, Eu Lady Gaga, Eu Freud, Eu Baby Jane, Eu Dina Moscovici, Eu Virginia Wolff, Eu Mrs Dalloway, Eu puta da Lapa, Eu Nélson Rodrigues, eu" santo", Eu Shakespeare... até que me encontre novamente.

Até que possa me apresentar a mim mesmo.

Por enquanto, sou um fragmento de cada ícone de meu universo de desejos, fantasias e realidade.

Muito prazer! Eu sou...

Ah sim! E você, quem é mesmo?