quinta-feira, 8 de março de 2012

Solidão urbana contemporânea.


Em que lugar eu deixei a minha memória, as minhas recordações, os meus pertences mais valiosos? Para onde os levaram? Na pequena caixa de recordações empoeirada, no fundo da gaveta da cômoda, encontro apenas cartas e fotos amareladas, desgastadas pelo tempo e uma espécie de cinza, que restou de momentos, recordações e relações de amizade e afeto.

Por onde foi que andei e que caminhos percorri? Quero fazê-lo de volta para ver se encontro algum resquício de onde poderei reencontrar os laços, os sentimentos e intensas vivências.

Cara, Clare, você não é a única que sente que apenas cumpre com os protocolos da vida cotidiana sem saber muito bem se erra ou se acerta, mas com a melhor das intenções de estar sendo útil e produtiva. Também procuro algum diferencial que possa me deslocar para uma outra possibilidade de existência, menos rotineira e mais envolvida num universo de maiores possibilidades existenciais e de realização.

De onde vem todo esse silêncio barulhento que ouço? Ele me tira o sono e quando adormeço, se transforma em imagens desconexas que me assombram. Assustado na madrugada, acendo a luz do abat-jour, e me pergunto: Para onde foram todos? Eles estavam todos aqui agora mesmo! O tempo também esteve por aqui agora mesmo, mas parece que já foi embora...

Acendo um cigarro companheiro, que me traz de volta a realidade que vivo.

Preciso arrumar as gavetas... Arrumar os armários... Será que alguém pode me ajudar?

Estão todos muito ocupados com suas existências e problemas pessoais nos seus universos particulares. Não me ligaram, mas recebi muitos e-mails. Não tem ninguém por aqui, mas estão todos presentes...

Solidão urbana contemporânea.

Será que temos tempo para um café ou chá na esquina do encontro de solidões?

Me liga! Em algum momento encontro alguém em algum ponto da cidade, dentro do metrô ou atravessando uma rua. Me liga, vamos marcar... Estou com pressa. Depois eu te conto... Depois eu te encontro... Depois eu te ouço... Depois eu te ligo... Depois eu te escrevo... Depois eu te amo...

Ah! Mas já passou a data... Já passou o filme... Já passou o momento... Já passou a amizade... Já passou o amor...

Mas amanhã, eu faço... Amanhã eu te ligo... Amanhã eu vou... Amanhã eu te encontro... Amanhã eu te ouço... Amanhã eu te amo... Mas amanhã já passou...

Que horas são? Preciso ir...